Sempre fui de acordar cedo, junto do sol...
para através da respiração, escutar melhor meu coração
e com o ar ainda fresco, purificar minha alma e o meu corpo.
Heis que tudo mudou, e hoje em dia ele anda torto.
Por falta de oxigenação, ou pela baixa na disposição.
Me uniformizaram e impuseram um quadro de horários,
agora viro de lado e fecho os olhos pra não ver os raios
de sol que anunciam mais um dia vazio, fantacheado de escola.
Mais tarde, o que fecho são os ouvidos, que não merecem ouvir o belo berro do apito,
que substituindo um agressivo grito, manda enfileirarmo-nos nas jaulas de aula.
Chamam de aprendizado o que sou obrigada a receber.
Preferiria nem saber o beabá e só passear por ai: viver.
Ver com os próprios olhos e aprender, assim o método de ensino deveria ser.
Pra vir pra vida e ver, acordo cedo, cedo quanto dê
Para ouvir dos professores que nem ele, um outro viuveu?
Percebeu? A falta de sentido que faz um individuo dar ouvidos,
sem nunca poder ser ouvido?
A escola foi quem desalumiou os alunos,
que eram antes crianças, iluminadas e sabidas de como se ser.
Agora eu quero ver, depois que alguém ditou tudo o que fazer,
o que não ser quando crescer e o que dizer pra aparecer.
Em quem confiar? Claro, não em você ,
com sua nota baixa, de nada pode saber.
Nem mesmo nada pode ser,
além de um pagante a mais na recuperação
que é mais uma chance de reprovação.
A prova é a prova do que eu digo:
do julgamento e da castração da individualidade!
Sem personalidade, pastam todos uniformes.
O sinal anuncia a hora da ração,
que por obvia razão é motivo de alegria,
hora de mal olhar o outro e saber doutras vidas.
Já de antemão, formar a opnião,
sobre quem não te deve nem um tostão,
mas é muito bonita, então merece ir pro caixão..
- Olha só, também é rica, vamos logo lhe dar a mão!
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